
Crédito à habitação pode ultrapassar R$ 60 bilhões
O volume de empréstimos destinados à execução do programa Minha Casa, Minha Vida, um dos carros-chefe do último mandato do presidente Lula ao lado do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é do Bolsa-Família, pode atingir R$ 61,5 bilhões ao final deste ano. De acordo com a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, até o momento, o montante chegou a R$ 18 bilhões. Mas a estimativa é que outros R$ 43,5 bilhões sejam contratados.
Com relação ao número de projetos para a construção das unidades habitacionais, a estimativa é a de que, já em abril, seja atingida a marca de 1,2 milhão, segundo informações da iniciativa privada. Para atingir esse nível, devem entrar para a análise da Caixa projetos para obras de mais 500 mil habitações, que vão se somar aos 700 mil atualmente credenciados. Do total que já está sendo analisado, 251,8 mil unidades já foram contratadas por empreendimentos e 75,23 mil diretamente por pessoas físicas. "Neste ano, poderemos atingir a meta de 1 milhão de novas moradias, o equivalente a R$ 41 bilhões de investimentos", disse a executiva. É possível que boa parte dessas habitações seja entregue ainda em 2010, uma vez que o prazo dos contratos é de 12 meses.
Diante dos resultados, a avaliação da secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, é a de que o programa segue muito bem. Ela credita o sucesso à criação de um mercado popular de habitação, um pro¬duto a que chamou de adequado às necessidades do país. Tanto é que 30% dos empreendimentos contratados estão direcionados às famílias que têm rendimentos de até três salários mínimos (R$ 1.530). "Falamos desde o início que era preciso dar escala com um perfil aderente à demanda".
Dados do Ministério das cidades apontam que, até o mês passado, 583 empreendimentos foram contratados para a construção de 170,82 mil unidades na primeira faixa de renda. Para os que ganham entre três e seis salários mínimos serão entregues 49,40 mil unidades. Já para os que têm rendimentos entre seis e dez salários, 31,62 mil habitações. Muito embora integrantes do Palácio do Planalto já digam que a fase 2 do Programa possa ser anunciada no final deste mês, a secretária disse que é muito cedo para falar em datas e anúncios. "Ainda estamos avaliando o andamento da primeira fase", diz Inês Magalhães.
Crédito impulsionado
Na avaliação da presidente da Caixa, as contratações pelo programa podem alavancar o segmento de financiamento habitacional do banco. Assim, o volume de crédito imobiliário deve atingir o patamar entre 4,5% e 5% do Produto Interno Bruto (PIE) frente aos atuais 3,5%. "A perspectiva da Caixa é superar a marca histórica de 2009, com R$ 47 bilhões contratados, atingindo algo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões", disse Maria Fernanda.
Segundo ela, nos primeiros dois meses de 2010 já foram emprestados aproximadamente R$ 7 bilhões, uma elevação de 102% na comparação com o ano anterior. "Sem dúvida, a expectativa para o setor é bastante positiva e o Programa Minha Casa, Minha Vida foi decisivo para superarmos a crise financeira internacional e dar as bases para o atual desempenho"
Fonte: Brasil Econômico
Data: 09/03/2010
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