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Caderneta tem o melhor mês de janeiro desde 1997


A caderneta de poupança teve o melhor janeiro em termos de captação líquida desde 1997, quando o saldo da aplicação foi positivo em R$ 3,513 bilhões. No mês passado, os depósitos superaram os saques em R$ 2,619 bilhões, aponta relatório do Banco Central (BC) divulgado ontem. Com o rendimento, o estoque da caderneta subiu para R$ 323,211 bilhões.

O dado surpreende pelo volume expressivo para um mês de janeiro. A série histórica mostra que o desempenho da poupança tende a ser fraco em início de ano. No período entre 1995 e 2010, a captação em janeiro só ficou positiva em seis ocasiões. Em 2009, por exemplo, a poupança fechou o primeiro mês com saldo negativo de cerca de R$ 487 milhões.

Alguns fatores explicam essa mudança no comportamento da poupança, afirma o superintendente de investimentos do Grupo Santander, Eduardo Jurcevic. Ele cita a recuperação nos últimos anos da renda e do emprego das classes C e D, tradicionalmente afeitos à poupança. Em 2009, a aplicação atraiu mais de R$ 30 bilhões, quase 72% mais do que no ano anterior.

A maior competitividade da caderneta proporcionada pela redução do juro é outro argumento para essa captação forte, acredita o executivo. "A poupança é imbatível para investimentos de até R$ 30 mil." Com a Selic a 8,75% ao ano, segundo Jurcevic, um fundo de investimentos para esse volume de recursos em geral tem taxa de administração acima de 1%, o que o deixa menos vantajoso para esse público do que a poupança, isenta de imposto de renda e taxas.

Os fundos, contudo, continuam atraindo recursos. Em janeiro, a captação líquida superou os R$ 5 bilhões. As carteiras de renda fixa e DI, maiores concorrentes da poupança, também vêm batendo o CDI. No mês passado, esses fundos renderam, na média, 0,67% e 0,90%, respectivamente, acima do indicador, que variou 0,66%, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

"Não há migração de recursos de fundos para poupança", acredita o administrador de investimentos Fabio Colombo. Para ele, uma explicação para a captação da poupança pode ser o direcionamento de recursos que estavam aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). "Tem muito CDB vencendo e as taxas para renovação caíram muito."

Para Jurcevic, do Grupo Santander, é possível que parte do dinheiro que foi direcionado no passado para esses papéis venha sendo aplicada na poupança. Em 2008, os CDBs atraíram cerca de R$ 234 bilhões. Com folga no caixa, o estímulo para novas captações pelos bancos diminuiu e, desde o ano passado, essa modalidade só perde dinheiro. Em janeiro, R$ 1,6 bilhão saiu da aplicação.

O superintendente do Santander destaca ainda a sazonalidade. "Nos últimos anos, o primeiro trimestre passou a ser bom para investimentos." Os números mostram, segundo ele, que o consumo passou a ser maior no segundo semestre, por conta de Natal e férias. Já as despesas de começo de ano, como IPVA e IPTU, têm sido compensadas pelo pagamento de bônus e participação nos lucros.

Fonte: Valor Econômico (Alessandra Bellotto)
Data: 05/02/2010


  

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